O Encontro Online foi realizado com Roselena Montenegro, farmacêutica e bióloga com ampla experiência em qualidade laboratorial, gestora do Laboratório de Ensaios da Controllab e líder em relacionamento estratégico no setor diagnóstico.
Durante a aula, foram abordados os principais elementos que sustentam a qualidade no laboratório clínico, com foco em práticas aplicáveis à rotina, como os fatores que influenciam a confiabilidade dos resultados, a padronização de processos e a segurança do paciente. Também foi destacada a importância do controle de qualidade interno e da participação em ensaios de proficiência.
Com uma abordagem prática e atualizada, o encontro contribuiu para reforçar a importância da cultura da qualidade na rotina do laboratório clínico, apoiando a melhoria contínua dos processos e a confiabilidade dos resultados analíticos.
Perguntas & Respostas
A seguir, encontram-se as dúvidas que não foram respondidas durante o Encontro Online.
Nunca entendi por que precisamos informar com qual reagente e equipamento trabalhamos. Se, teoricamente, um mesmo paciente deveria apresentar resultados semelhantes em diferentes laboratórios, mesmo utilizando reagentes e equipamentos distintos. Eu já realizei controles intralaboratoriais com minhas próprias amostras e os resultados ficaram parecidos, tanto em química clínica quanto em hemograma. Podem me explicar, por favor?
Excelente pergunta.
Em teoria, sim: um mesmo paciente deveria obter resultados semelhantes em diferentes laboratórios, independentemente do equipamento ou reagente utilizado.
Mas, na prática, existem diferenças analíticas entre metodologias, calibrações, reagentes, princípios de medição e sistemas analíticos. Por isso, é importante considerar que o Ensaio de Proficiência consiste em uma comparação interlaboratorial, na qual os laboratórios participantes são avaliados em grupos específicos, conforme o sistema analítico utilizado (reagente, método, equipamento etc.).
Durante a avaliação, os dados recebidos são analisados e tratados estatisticamente para a formação de grupos comparáveis, considerando que o mercado dispõe de diversos sistemas analíticos com características e variações distintas.
Por isso, é fundamental informar: qual equipamento foi utilizado, qual reagente/metodologia foi empregado e, em alguns casos, até mesmo o lote do reagente.
Isso permite: comparar resultados de forma correta, identificar possíveis vieses sistemáticos, compreender variações entre laboratórios e garantir rastreabilidade e segurança analítica.
Por exemplo: dois métodos diferentes podem medir o mesmo analito, mas com sensibilidades, especificidades ou interferências distintas.
Na hematologia também ocorre o mesmo: embora os resultados sejam muito parecidos, cada fabricante utiliza tecnologias, algoritmos e sistemas de leitura diferentes.
E você tem razão em um ponto muito importante: quando o laboratório possui boa padronização, calibração adequada, controle interno de qualidade e participa de controle externo/ensaio de proficiência, os resultados tendem a ser muito semelhantes entre laboratórios.
Esse é justamente o objetivo da qualidade analítica: reduzir a variabilidade e garantir resultados confiáveis para o paciente.


